quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Liturgia falida





Sempre ouvi, ou talvez eu mesmo tenha feito alguma crítica contra a igreja católica a respeito de seus usos e costumes que vem se arrastando ao longo do tempo simplesmente porque um dia aprenderam dessa forma. Como por exemplo, sua forma de batismo, sua adoração a santos e imagens e suas lendas urbanas. Mas hoje resolvi olhar para dentro do sistema evangélico ao qual estou inserido.




Inicialmente a sinagoga era o edifício em que os judeus, que não podiam freqüentar o Templo de Jerusalém, se reuniam para orar, ler as Sagradas Escrituras e receber instrução religiosa.
O centro do culto religioso era o Templo de Jerusalém, único lugar em que era lícito oferecer sacrifícios. Ao Templo de Jerusalém deviam todos os judeus habitantes da Palestina fazer pelo menos uma peregrinação anual para pagar o tributo pessoal e oferecer sacrifícios. Destruído o Templo e levados os judeus para o cativeiro de Babilônia, tornou-se impossível o culto no Templo.
Admitis-se hoje, que a partir dessa época, tenha a sinagoga começado a tomar a feição de lugar de culto; antes já devia ser conhecida pelos judeus da diáspora. Mas a legitimação do culto deve ser originaria dessa época, apos a destruição do Templo. Uma vez que não mais podiam ir ao Templo para os sacrifícios, e sem ousar fazê-los noutro lugar, encontraram um sucedâneo na sinagoga onde podiam os judeus piedosos fazer suas orações em comum, suas leituras bíblicas solenes e acompanhadas de comentários e receber a instrução religiosa.
Serviam as sinagogas às comunidades locais e, no tempo de Cristo, havia muitas na Palestina e fora. Alem de lugar de culto funcionavam também como escolas, bibliotecas e cortes de justiça.
Cada comunidade judaica importante tinha pelo menos uma que, não raro, tinha sido construída por gentios.
O edifício, geralmente retangular, tinha, um traçado que embora não reproduzisse o Templo estava nele baseado quanto às idéias fundamentais. Os homens deviam ocupar o lugar central voltados para Jerusalém onde estava ou devia estar o Santo dos Santos, ao passo que as mulheres ficavam nas galerias laterais, ou na falta destas, também no centro, porém separadas dos homens. Ao fundo, sobre uma plataforma ficava o Armário Santo, onde se guardavam os volumes da Bíblia, ali protegidos por uma cortina. Na frente havia um púlpito destinado a receber os volumes que iam ser lidos e para o orador. Entre o Armário e o púlpito ficavam cadeiras de honra, voltadas para os fieis, onde se assentavam os mais importantes. Eram estes os "primeiros lugares" tão cobiçados pelos judeus.
Os ofícios eram celebrados principalmente aos sábados e tinham duas partes: 1- A parte litúrgica orientada pelo leitor do dia que recitava orações, algumas no estrado do meio da sinagoga, outras diante do Armário, de costas para os fieis. Se estivesse algum sacerdote, deveria este encerrar a parte litúrgica com uma bênção. 2- Seguia-se a instrução que consistia em leituras da Lei e Profetas, acompanhadas por explicações ou sermões. O chefe da sinagoga podia dar a palavra a algum dos fieis e em geral escolhia os que sabiam capazes de fazê-lo com proveito.
A comunidade participava dos ofícios de varias maneiras: tomando parte nas orações, recolhendo e distribuindo esmolas, discutindo as observações feitas pelos oradores. O oficio terminava com uma oração de ação de graças, depois da qual se podia então combinar a reunião do sábado seguinte.




Analisando o sistema de como funcionava as sinagogas e olhando para nossas igrejas vejo que muito pouco ou quase nada tinha mudado. Encurtando: sempre começamos com hinos e cânticos na maioria das vezes alguns ritmos mais rápidos e animados e logo em seguida aqueles mais lentos e suaves. Paramos para recolher os dízimos e ofertas e começa-se a pregação ou contos de historinhas e testemunhos o que na maioria das vezes as pessoas só conseguem dizer o que faziam de ruim e como suas vidas eram desgraçadas. Mas a parte em que Jesus entrou e mudou tudo não conseguem descrever e realmente demonstrar a tal mudança. Sem mencionar que ultimamente todos os sermões que tenho visto e escutado são mais discursos de alto-ajuda do que um sermão. Termina-se então com avisos e marketings longos e nos despedimos até a próxima reunião.
Então pergunto: essa é a vontade de Deus?
A minha idéia de culto e quero deixar claro que não sou dono da verdade seria independente de estar dentro de um templo ou não, é de render graça e adoração ao Todo Poderoso em comunhão com meus irmãos lendo e aprendendo com as Escrituras Sagradas, uma vez que foram inspiradas pelo Espírito Santo. Acho engraçado antes de o pregador começar seu discurso dizer que é Deus quem vai dizer. Penso que isso é somente uma forma de passar a responsabilidade para Deus. Uma vez que a bíblia foi inspirada por Ele, é só não fugir daquilo que foi escrito pedindo auxilio ao Espírito Santo para entender que está escrito antes de ler. "A Bíblia só pode ser interpretada de uma forma: a correta! E essa é: Como um todo, uma história, um plano, uma vontade de um Deus perfeito; levando tudo à pessoa de Jesus Cristo." Guilherme
Mas talvez se déssemos ouvidos a Deus e não nos preocupássemos com o que os irmãos as pessoas no geral vão pensar e nos nossos interesses tudo seria diferente. Preocupa-me especialmente com os que se autodenominam profetas e falam que Deus está dizendo alguma coisa quando não está dizendo nada, como está escrito em Ezequiel. Isso sem contar aqueles que falam em línguas estranhas e querem que todos ouçam. Mesmo sabendo que é necessário que tenha alguém para interpretar já que nem eles que falam e muito menos os que ouvem estão entendendo alguma coisa. Paulo disse que era melhor dizer cinco palavras de sua inteligência para que edificasse a igreja e instruísse aos outros do que 10.000 em língua desconhecida.
Será que tudo isso não se tornou uma religiosidade?
Sei que existe um poder, um mistério em relação à igreja e isso se deve único e exclusivamente por graça e misericórdia de Deus. Mas até quando?
É lógico que cada um pode dizer por si mesmo em relação a isso tudo, mas creio eu que quando colocarmos de lado nossos interesses e nos tornarmos um como Cristo é com o Pai possamos entender e proceder com a vontade de Deus. E isso inclui principalmente na maneira de cultuá-lo! Assim como Jesus disse, importa que os adoradores o adorem em espírito e em verdade.




E me perdoem aqueles que venham a se sentir ofendidos com esse post! Não é essa a intenção. Se você não gosta das coisas que fogem os padrões estabelecidos pelo homem por mim tudo bem. Mas creio que existem muitos que querem conhecer realmente a verdade se tornar livres.

Que a graça, a misericórdia e principalmente a justiça de Deus seja com todos!